Tendências vêm e vão, mas as transformações e mudanças previstas para 2021, no que tange ao mundo dos negócios, prometem ficar. Muitas já vinham avançando lentamente, mas foram ligeiramente aceleradas a partir da pandemia do novo coronavírus. Muitos comportamentos, formas de consumo e expectativas mudaram de forma significativa durante esse período. E as empresas precisaram se adaptar rapidamente para acompanhar todos os acontecimentos – e aprender com eles.

A Exame Academy e ACE realizaram um estudo apontando 12 tendências para esse ano. Confira:

  • Escritórios sem endereço

As empresas encontraram uma nova forma de trabalhar e se surpreenderam que há muito mais vantagens do que imaginavam. Inclusive, uma pesquisa feita pela Cushman & Wakefield apontou que 74% das empresas pretendem manter o trabalho de casa como uma opção definitiva no pós-pandemia. Além disso, a possibilidade de manter o trabalho remoto abre espaço para uma série de tendências: os “resort offices” (hotéis paradisíacos com boa infraestrutura para os hóspedes manterem a rotina de trabalho), bem como empresas e técnicas que facilitam a gestão remota de pessoas.

 

  • Vídeos com grande destaque

Os vídeos tomaram conta da internet. Com a impossibilidade de encontros, reuniões, eventos e capacitações presenciais, as pessoas e empresas passaram a dar muito mais atenção a lives, aplicativos de videoconferência, webinars e serviços de streaming. Inclusive, as ações do Zoom na Nasdaq, bolsa de valores das empresas de tecnologia, chegaram a se valorizar 775% ao longo do ano. Os vídeos seguirão na rotina das pessoas, tanto no âmbito profissional como pessoal.

 

  • Investimentos em startups

Em 2021, uma tendência bastante forte é a mudança do cenário de investimentos em startups, que são tradicionalmente ligados aos fundos de venture capital ou aos investidores-anjo. Agora o objetivo é aumentar a liquidez de seus investidores. Por isso, houve a estreia de diversas startups na Bolsa de Valores nos últimos meses de 2020, com a consolidação de plataformas como a CartaX, que atua como uma facilitadora para negociações secundárias, dando aos investidores novas chances de negociar suas participações acionárias, mesmo que a empresa nunca faça um IPO.

 

  • De olho nas startups em fase inicial

O interesse de investidores por startups em fases iniciais cresceu significativamente no ano passado devido a mudanças de dinâmicas no mercado – e promete continuar assim nesse ano. De acordo com dados da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap), entidade que reúne os investidores de empresas privadas no Brasil, 2020 foi o primeiro ano em que os investimentos nas empresas mais iniciais (feitos pelos fundos de seed e venture capital) superou o valor total investido nas companhias mais consolidadas (conduzidos pelos fundos de private equity). A Abvcap pontua que “o resultado inédito é explicado pelo amadurecimento do ecossistema de startups no Brasil, que despertou um maior apetite de investidores em um ambiente de forte procura por diversificação de aplicações financeiras.”

 

  • Soma de esforços

O ano que passou exigiu que as empresas buscassem formas de se reinventar e superar a crise econômica que assola o mundo. Elas perceberam que não chegariam muito longe se continuassem atuando de forma individual. Portanto, cresceram as iniciativas de inovação aberta, com parcerias com startups e outras organizações, e o número de fusões e aquisições no Brasil aumentou. Perdeu espaço a ideia de desenvolver soluções inteiramente dentro de casa e ganhou destaque a soma de esforços com quem está fora do seu ecossistema,

 

  • Dar lucro e fazer o bem

Você conhece a sigla ESG? Ela é usada no mercado de investimentos e significa designar investimentos com critérios ambientais, sociais e de governança corporativa. E os investidores têm se importado cada vez mais para esses critérios antes de tomar decisão de comprar ações. O valor investido em fundos que olham para empresas adequadas às normas do ESG quadruplicou nos Estados Unidos nos últimos três anos, e o Brasil promete adotar a mesma prática. Inclusive, a BMF Bovespa criou recentemente um índice para acompanhar o desempenho das empresas que seguem as melhores práticas socioambientais.

 

  • Pacote completo

A valorização de grandes plataformas consolidadoras tem voltado à tona, diferentemente da década passada, quando a prioridade era a contratação de empresas especialistas para etapas específicas da jornada. Hoje as grandes empresas têm criado soluções próprias (como a Microsoft fez com o Teams) ou adquirido soluções de outros, como a compra do Slack pela Salesforce.

 

  • Organizações ambidestras

A aplicação do conceito de ambidestria organizacional é uma grande tendência para 2021. O termo propõe dividir a empresa em dois olhares. Um time cuida dos negócios atuais – aqueles que trazem retorno atualmente -, e outro cuida do desenvolvimento de projetos que, no futuro, terão poder de mudar o mercado.

 

  • Tudo está virando serviço

No mundo da tecnologia, a tendência de comercializar somente produtos e passar a vender serviços no lugar já estava consolidada, dando origem ao conhecido termo Software as a Service. Mas agora isso chegou a diversos tipos de negócios, gerando modelos de assinaturas, como o exemplo da Netflix. Há quem fale de Everything as a Service devido ao comportamento de consumo dos jovens, que não se importam em não possuir um bem, desde que possam usufruir dele.

 

  • Metodologias de ágeis no topo das organizações

Muito tem se falado na utilização de metodologias ágeis dentro das empresas – e elas já fazem parte da rotina de diferentes áreas. Mas agora a tendência é que se inicie a era do C-Level ágil, para levar a agilidade ao topo das organizações, transformar as lideranças e construir um balanço entre o que deve ser feito na operação e a busca pela inovação – em uma conexão com o conceito de organizações ambidestras, conforme mencionado anteriormente.

 

  • Busca pela diversidade

Os tempos que estamos vivendo demandam a constante inclusão e a diversidade em todas as áreas das empresas (e isso também inclui as lideranças). E 2020 marcou um fato histórico: pela primeira vez, todas as empresas integrantes do índice S&P 500 – que reúne os principais ativos negociados nas bolsas americanas – possuem pelo menos uma mulher em seus conselhos. O índice segue abaixo de 30%, mas estão crescendo os olhares diversos nas empresas, dando espaço a programas voltados para minorias (como o exemplo da Magazine Luiza). A pauta diversidade ganhará mais força neste ano – e com certeza será cobrada pelos consumidores também.

 

  • Lifelong learning

A ideia de que diplomas não garantem conhecimento suficiente em alguma área tem sido disseminada pelos profissionais. Agora se entende que é possível buscar aprendizados fora de universidades, participar de cursos livres, adquirir habilidades através de vídeos na internet. O conceito de lifelong learning já estava sendo discutido há algum tempo, mas 2021 deve alavancar ainda mais o pensamento que os profissionais precisam realizar uma curadoria de conteúdo conforme suas necessidades e investir em cursos e workshops que correspondam a elas.